Neste fim de semana, estive em uma reunião do Alcoólicos Anônimos, mais conhecido como AA. Não, eu não tenho problemas com bebidas alcoólicas, mas fui dar apoio para um grande amigo, que depois de muitos anos, percebeu que precisava tomar alguma atitude em relação à doença. Isso mesmo: doença! A Organização Mundial da Saúde (OMS), reconhece o alcoolismo uma doença. Em fevereiro deste ano, a OMS divulgou dados de uma pesquisa que aponta que o consumo de álcool já é responsável por quase 4% das mortes pelo mundo. E o pior: já mata mais que a tuberculose, a Aids e a violência.
Chegamos bem cedo ao local onde acontecem as reuniões. Aos poucos os membros da irmandade foram chegando e ocupando seus lugares. Fui muito bem recebido por todos e logo as badaladas do sino, nas mãos de um dos membros e coordenadores do grupo, convidava todos fazerem silêncio. Começava mais uma reunião. Todos, de pé, recitam a Oração da Serenidade, que fiz questão de registrar aqui:
"Concedei-nos, Senhor, a Serenidade necessária
para aceitar as coisas que não podemos modificar,
Coragem para modificar aquelas que podemos,
e Sabedoria para distinguir umas das outras."
Em seguida, os membros são convidados a fazer seus depoimentos sobre como estão conseguindo evitar o primeiro gole e sobre a luta constante contra o desejo e a impulsividade. A maioria dos membros do grupo que visitei eram de homens, com idades entre 40 e 70 anos. Ouvi histórias de pessoas que perderam tudo o que tinham por conta da doença. Pessoas que passaram muito perto da morte e conseguiram entender que precisavam de ajuda. Pais de família que perderam desde bens materiais a valores como dignidade e auto estima.
Uma informação importante, que chamou minha atenção, foi o fato de muitos dos membros terem relatado que começaram a beber muito cedo, alguns ainda na adolescência. Hoje, ingerir bebida alcoólica é uma rotina muito comum na vida de adolescentes, jovens e adultos. Fiquei pensando como será o futuro de muitos dos jovens de hoje que não conseguem sair de casa para se divertir sem beber. A maioria dos membros lamenta ter chegado ao fundo do poço por conta da doença. A falta de controle sobre o impulso de beber trouxe muita dor e tristeza para aqueles homens e suas famílias. Quantos de nós teremos que passar pela mesma dor para entender o quanto o álcool faz mal?!
Terminada a reunião, cada um dos membros fez um compromisso consigo mesmo e com a irmandade de continuar na luta por mais 24 horas de serenidade e sobriedade. Eu nunca havia participado de nenhuma reunião do AA e saí de lá com a responsabilidade de contribuir, de alguma forma, para que outras pessoas conheçam o trabalho da irmandade. Lembrando que o desejo e a vontade de deixar o álcool é de cada um. O alcoólico precisa querer mudar e precisa de apoio de familiares e amigos. A reunião fez mais bem para mim que para todos os membros que estavam lá, porque eu voltei no tempo e lembrei de pessoas da minha família e amigos que também sofreram muito pelo mesmo motivo.
Bem, para quem ainda não conhece, segue abaixo o site do Alcoólicos Anônimos no Brasil, uma matéria sobre do site Terra sobre os números da doença no mundo e um texto, do site da empresa Scritta, sobre a maneira como os devem ser chamadas as pessoas que consomem álcool (alcoólatra ou alcoólico?!).
confira:
- Alcoólicos Anônimos
- OMS: álcool mata mais do que aids, tuberculose e violência
- Scritta - Alcoólatra ou Alcoólico?!
Que tal passar essas informações adiante?!
Até a próxima!

Bem legal a sua atitude e também a do seu amigo, de procurar ajuda. Esse é um assunto complicado, tenho vários casos de alcoolismo na minha família e eu sei o quanto é barra.
ResponderExcluirInteressante o seu blog.
Abraços!